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Sem exageros, é possível jogar aprendendo

Por Bruno Félix


Cada vez mais cedo a febre dos jogos eletrônicos não é novidade nas famílias. Idade não é limite para começar uma aventura em frente aos videogames ou pela telinha do computador. Foi o caso do segurança Wolney Marques Borges, 23 anos.

Ele contou que começou a jogar aos nove anos, e costuma passar aproximadamente uma hora jogando por dia. “Recebo influências positivas dos jogos, pois absorvo as informações tentando tirar um proveito prático, tanto para o cotidiano como para histórias, pois gosto de escrever”, ressalta o jovem.

Ele ainda comentou que já deixou de realizar outras atividades para se dedicar aos jogos. “Quando mais novo deixava de ir à escola para jogar em fliperamas”, afirmou. Quando perguntado sobre o que a prática dos jogos eletrônicos significa em sua vida, Borges foi enfático. “Lazer e um pouco de informação quase sempre irrelevante”, declara.

O jovem Pedro Henrique Amaral, 20 anos, hoje Técnico em Informática, contou que começou a jogar com 14 anos, e que passa geralmente uma hora em frente ao computador. Amaral tem a mesma opinião de Borges sobre o que os jogos podem trazer as pessoas. “Acredito que certos jogos são prejudiciais, visto que prendem muito os jogadores e causam uma espécie de dependência. No entanto, alguns games estimulam o raciocínio e a percepção, acredito que esses possuem uma influência positiva”, ressaltou.

Amaral relaciona os jogos de RPG e de estratégia como os que costuma jogar. “Jogo estes games por me prender mais ao jogo e possuir toda uma historia”. Ele conta que perdeu o interesse pela prática viciosa. “Atualmente tenho que dividir meu tempo entre o estágio e a faculdade, e o que sobra é para lazer, cinema. Nunca me considerei um "viciado", porque antes, quando tinha mais tempo, não ficava jogando, e nunca me afetou negativamente, sempre soube quando parar”, diz.

Segundo a psicóloga Raquel Maracaípe, os jovens precisam dosar a prática dos jogos eletrônicos. “O segredo é o bom uso e não o abuso”. A especialista reforça: “é importante a mediação dos pais quanto a horários em frente a computadores e videogames”. Raquel declara que o bom uso, não é prejudicial e sim auxilia no processo de aprendizagem. “Os jogos colaboram na educação sim. A restrição seria quanto a idade aconselhável aos jogos violentos”, confirma.

O Filósofo e professor universitário Daniel Christino também acredita nos benefícios dos jogos eletrônicos no dia-a-dia. “Por mais paradoxal que possa parecer, os jogos estão se tornando mais sofisticados e deixando as crianças mais inteligentes. Um exemplo é o jogo Sin City. Ele é baseado num conceito altamente sofisticado de ordem emergente e pode ajudar as crianças a planejar suas ações em ambientes altamente complexos”, completa.

Christino analisa a importância das mediações que os pais devem fazer aos seus filhos. “Jogos são parte do cotidiano das crianças e não podem ocupar todo seu tempo. Há também a preocupação de não expor as crianças à violência gráfica muito naturalista. Meu filho joga videogame apenas nos finais de semana”, ressalta. Ele ainda pontuou a diferença de jogar para crianças e adultos. “As crianças são obrigadas a seguir regras, do contrário o jogo não evolui e perde a graça. Já os adultos, usam os games para relaxar, mas nem todos fazem isso”, afirma.

Jogos eletrônicos X Jogos Tradicionais



O avanço tecnológico influenciou no fim dos jogos tradicionais, como polícia e ladrão, esconde-esconde, gamão, futebol de botão, entre tantos? Esse é um ponto que Christino faz questão de abordar e desmistificar. “Os jogos eletrônicos são mais eficientes, além de possibilitar ao jogador escolher entre um jogo solitário, contra o CPU, ou coletivo, contra um companheiro, em todos estes casos a essência do jogo e seu beneficio estão mantidos”. Ele finaliza: “jogos antigos são importantes para quem possui memórias afetivas associadas a eles. É só um tipo de saudosismo. Não faz diferença”, opina.

Para o especialista, existem motivos sociais que também influenciaram no abandono destes jogos tradicionais. “Veja, ‘polícia e ladrão’, ‘esconde-esconde’ são brincadeiras. O que há de mais legal numa brincadeira é o fato de podermos mudar as regras se quisermos. Uma das coisas mais divertidas na brincadeira de ‘polícia e ladrão’ eram as discussões para determinar quando alguém havia ‘morrido’”.

Christino alerta alguns problemas. “Brincadeiras estão ficando mais raras porque os espaços de interação social nas cidades estão diminuindo. Esconde-esconde, por exemplo, é uma brincadeira de rua; contudo, a rua está deixando de ser um local propício para brincadeiras. A falta de segurança também contribui”, conclui.

Perguntando sobre o fato de os jogos eletrônicos ter tirado a convivência humana, Christino declara: “claro que não. Jovens encontram-se regularmente para conversar e brincar com seus playstations. Milhares de pessoas interligam-se em jogos para multijogadores na Internet (como World of Warcraft, por exemplo). O que mudou foi o suporte tecnológico da sociabilidade”.

Ele completa: “saímos da bola de couro para o computador. A questão da saúde fica em segundo plano, realmente. É necessário contrabalançar o sedentarismo do sofá com exercícios regulares. Mas se você é um jovem normal, que freqüenta a escola, provavelmente terá muitas oportunidades de praticar esportes ou andar de bicicleta. Ninguém joga 100% do tempo”, alertou.

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