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"Isso vai ser um pepino"

Por Bruno Félix


O oposto paranaense Samuel Fuchs, 24, atleta da seleção brasileira de vôlei e do time da Ulbra/Suzano/Uptime, desembarcou em Goiânia, ontem no aeroporto Santa Genoveva, para seguir até Anápolis, onde vai participar de uma campanha em uma indústria de medicamentos voltada para a divulgação da importância do esporte na rotina do trabalho. O jogador passou despercebido no saguão do aeroporto, apenas dois fãs lhe pediram autógrafo. Apesar da pouca popularidade, Samuel foi um dos destaques do grupo nas olimpíadas de Pequim e contribuiu significativamente para a medalha de prata.

Lesionado no ombro direito, o oposto só voltará à equipe comandada pelo técnico Bernardinho em março de 2009. "Operei o ombro há dois meses. Estou dando enfoque total à minha recuperação para que seja a melhor possível", destacou. A lesão tirou o atleta da Copa América, competição em que o Brasil ficou com o vice-campeonato ao perder para a Cuba, no mês de novembro. Por causa do problema no ombro, Samuel decidiu rescindir o contrato com o Lokomotiv Belgorod, da Rússia, para se tratar no Brasil e jogar a Liga Nacional.

Em entrevista exclusiva ao É Craque!, entre outros assuntos, o oposto falou sobre renovação na seleção e a conseqüente dificuldade de formar um grupo tão vitorioso quando o da última geração medalhista de ouro em Atenas, de prata em Pequim, totalizando 18 títulos em sete temporadas, na chamada "Era Bernardinho".

É Craque! – Qual é a importância da renovação na seleção?

Samuel – É tudo para manter uma equipe vencedora. Depois de Pequim não tivemos nenhuma convocação. A próxima é só em 2009 e com certeza teremos novidades, com também a saída de alguns jogadores. Isso é o processo natural da vida de todo esportista. O Bernardinho está fazendo um trabalho fantástico, ele já está de olho em novos atletas que despontaram na Super Liga. Acredito que isso é o diferencial para poder dar continuidade ao trabalho que vem sendo feito na seleção.

É Craque! – Será mais difícil manter o nível?

Samuel - Pois é! Isso vai ser um pepino. Ganhar tudo que o Brasil ganhou nos últimos anos não será fácil. O intuito é trabalhar forte para pelo menos manter o trabalho e a linha que vinha sendo feita. Continuar vencendo e manter o padrão de jogo com certeza vão ser um sacrifício para todo mundo. Estou preparado para fazer parte desse desafio.

É Craque! – Bernardinho vai ter mais trabalho?

Samuel - Vai ser mais complicado. Ficar no topo por muito tempo é super difícil. O problema é que estávamos acostumados a não perder. Agora precisamos aprender que derrotas fazem parte na vida de campeões. Não se pode ter tudo. É preciso saber reconhecer que os americanos foram superiores a nossa seleção e ficaram merecidamente com o ouro. Acredito que o Bernardinho resolveu ficar na seleção justamente para poder ajudar o grupo. Principalmente os mais novos que vão ter que assumir essa responsabilidade. Caso do Murilo, do Bruninho e do pessoal que vai chegar. Acredito que com a experiência dele, com os títulos que ele conquistou vai ser mais fácil o processo.

É Craque! – Sua experiência pode colaborar na chegada dos novos jogadores?

Samuel - Tenho quase quatro anos na seleção brasileira, já não sou um calouro, mas também não sou nenhum veterano. Sou meio termo. Então, para mim será importante esse trabalho de passar um pouco da minha experiência aos que estarão entrando no time. Vou fazer o mesmo que os medalhistas de ouro de Antenas fizeram por mim. Quero fazer parte de uma geração ainda mais vitoriosa.

É Craque! – Ficou algum trauma da derrota para os Estados Unidos na final dos Jogos Olímpicos?

Samuel - Os americanos acabaram sendo o grande adversário do Brasil na competição. Antes dos jogos tínhamos a consciência que eles eram uma equipe forte, mas com certeza, para a população, não eram um dos principais favoritos ao ouro. Foi merecido o título deles, agora é levantar a cabeça e pensar em novos desafios.

É Craque! – É o time a ser batido?

Samuel - Não diria que é o time a ser batido. Existem várias seleções fortes. Ainda acho as seleções da Rússia, Sérvia e Bulgária com um time mais forte que o dos Estados Unidos. Acredito que o processo de renovação deles não é tão bom quanto destas seleções.

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Big Phil é goiano de coração


Uma visita ilustre a Goiânia pode alavancar a candidatura da capital na briga direta para ser uma das cidades-sedes na Copa do Mundo de 2014, no Brasil. Na última segunda-feira, o ex-técnico do Brasil e de Portugal, agora técnico do Chelsea, Luiz Felipe Scolari, também conhecido como Felipão, ou, internacionalmente, como Big Phil, foi recebido no Palácio Pedro Ludovico Teixeira pelo governador Alcides Rodrigues e pelo secretário estadual de Fazenda Jorcelino Braga.

"Ele, sem dúvida nenhuma, é o grande trunfo na nossa luta para trazer uma das sedes para Goiás. Com a ajuda dele teremos um potencial muito maior. Declaro aqui que ele é o embaixador de Goiás nessas questões do Mundial", destacou Alcides Rodrigues. Felipão parece ter adotado Goiânia e o carinho pela cidade é o que ele divulga lá fora. Modesto, o treinador prefere não dizer se a visita colaborará com a escolha da capital. "Pode ter certeza que vou fazer e tenho feito alguns contatos no sentido de colaborar com a candidatura de Goiânia".

Muito feliz no Chelsea, Felipão só quer saber de cumprir o contrato e reviver a adrenalina de dirigir um clube, tanto que ele não pensa em voltar tão cedo a comandar a seleção brasileira. "Gosto do Chelsea e de Londres. Eu tô fora da seleção". Em entrevista ao É Craque! o treinador falou ainda sobre Dunga, Campeonato Brasileiro e Vila Nova.

É Craque!
– Felipão, você considera a candidatura de Goiânia forte?

Felipão - Na minha opinião, como técnico de futebol, por ter vivido no país por muitos anos e por conhecê-lo geograficamente, acho que Goiânia tem grandes possibilidades de ser sede. Acredito que teremos jogos aqui sim. Algumas situações que já foram passadas ao nosso governador já foram trabalhadas. Goiás tem divulgado bem as cidades históricas a nível nacional.

É Craque! - Brasília sendo uma sede não complica a candidatura de Goiânia?

Felipão - Na minha opinião, quando se tem dois locais próximos é muito mais fácil. Os técnicos gostam mais disso. E são ouvidos pela própria FIFA. Nós como técnicos não gostamos de viajar 400 ou 500 quilômetros de avião, isso atrapalha no treinamento da equipe. É bem mais cômodo ir para uma cidade a 100 quilômetros de distância para evitar maiores desgastes. Falo isso porque já trabalhei em duas Copas do Mundo e sei que a distância muitas vezes faz com que você perca muito tempo nesses translados, não treinando direito a equipe.

É Craque! - Você divulga Goiás?

Felipão - Lá na Europa tenho mostrado um pouco das características de Goiás. Do que pode ser feito aqui em termos de futebol e de que forma isso pode influir no futuro em uma escolha. É uma coisa bem simples, bem comum, apenas através da amizade mostrando a região. Isso é uma forma de muito carinho. Não é uma coisa programada e sim uma coisa simples e espontânea.

É Craque! - Goiás está preparado para ser sede de uma Copa?

Felipão - Não é uma questão de estar preparado hoje. Deve estar preparado para quando solicitado pela Fifa e CBF. O governador vai trabalhando junto com o órgão competente para dar as condições necessárias para Goiânia ser uma sede. Das 18 sedes, apenas 12 serão escolhidas, por isso é preciso apresentar as condições.

É Craque! - Sua visita colabora com a candidatura?

Felipão - Não sei se minha visita ajuda para colaborar na campanha de Goiânia. Tenho um compromisso amanhã (hoje) em Brasília e resolvi dar um pulo na capital para abraçar meu amigo Alcides por uma questão muito simples: além do aspecto da Copa do Mundo e pelo trabalho que vem desenvolvendo que é fantástico. Se vier ajudar a ser uma sede ou subsede isso não importa. Pode ter certeza que vou fazer e tenho feito alguns contatos no sentido de colaborar com a candidatura da cidade.

É Craque! - Pensa em voltar a treinar a seleção brasileira?

Felipão - Tenho contrato com o Chelsea até 30 de junho de 2010 e vou cumprir. Gosto do time e da cidade de Londres. O campeonato é maravilhoso. É muita adrenalina nos jogos de quarta e domingo. Nunca se sabe quando você vai ganhar. Joga contra o último e as partidas são disputados. Fazer um gol é muito difícil. Tenho admiração pela minha equipe. Eu tô fora da seleção.

É Craque! - Os pedidos da torcida pela saída do Dunga tem fundamento?

Felipão - Acho isso uma bobagem. O Dunga está fazendo o trabalho dele do jeito que foi planejado. As pessoas insistem num assunto que não existe. Conheço o Ricardo Teixeira, trabalhei com ele, e sei que ele tem um projeto e vai seguir até o final. O Brasil vai classificar daqui a três ou quatro rodadas. E depois começa a preparação para o Mundial. Está tudo indo bem no trabalho do Dunga.

É Craque! - Brasil ou Portugal? Quem é o favorito para o amistoso?

Felipão - Tenho carinho pelas duas seleções. Com o Brasil fui campeão Mundial em 2002 e com Portugal consegui colaborar com o futebol português. Meu coração vai ficar partido, mas aposto num bom jogo. São duas grandes seleções com muita qualidade técnica. Acho que quem vai sair lucrando é quem assistir a partida.

É Craque!- Cristiano Ronaldo é o melhor do mundo?

Felipão - Cristiano Ronaldo é um dos melhores jogadores com quem já trabalhei e pelo que fez no ano passado para mim provavelmente será considerado por todos o melhor do planeta no fim do ano. Mas para o próximo ano a disputa vai ser mais intensa.

É Craque! - Grêmio consegue tirar o título do São Paulo?

Felipão - Não sei se o Grêmio tirará o titulo do São Paulo. Eles vão brigar até o fim, deixa eles brigarem que tá legal. Meu palpite é que o campeonato vai ser decidido na última rodada e tudo pode acontecer. Não tenho favoritos, a competição está bem equilibrada e isso é bom para valorizar a fórmula de pontos corridos no Brasil.

É Craque! - Você acompanhou a queda de rendimento do Vila Nova nas últimas rodadas na Série B?

Felipão - Apenas de longe. Mas quem pode falar sobre a fase ruim do Vila é o Givanildo Oliveira, não sou eu. Não tenho autoridade para falar no assunto porque não sei o que acontece no ambiente do clube. Às vezes uma equipe não consegue manter a mesma forma do início da competição. Nesse campeonato, três pontos ou dois jogos que não se faça com boa qualidade pode ser o caminho para não conseguir o êxito traçado na temporada.

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"Minha única estratégia possível é terminar a corrida na frente dele"


"É difícil, mas não é impossível", acredita o piloto Felipe Massa às vésperas da decisão do título Mundial de Fórmula 1, em Interlagos. Em entrevista ao É Craque!, Massa não culpa a Ferrari pela diferença de sete pontos entre ele e o inglês Lewis Hamilton da McLaren. "Somos um time: ganhamos juntos, perdemos juntos", declarou. Sem ansiedade, o piloto espera pelo desfecho. "Não fico ansioso por causa da decisão, durmo sem problemas".

Ficar sem o título não parece uma frustração para o brasileiro, mas não chegar em primeiro lugar em casa... "Ganhar o GP do Brasil tem praticamente a mesma importância de ser campeão", destaca. Massa não lamenta pelos erros passados e reconhece a eficiência de seu principal adversário, o inglês Lewis Hamilton. "Não existe essa coisa de justiça na Fórnula 1. Isso é papo de chorão", afirma. E para os brasileiros, um pedido: "Torçam por mim!".

É Craque! - Você poderia chegar ao GP do Brasil em melhor situação, se não fossem as várias falhas da Ferrari na temporada? Fica uma frustração, Massa?

Felipe Massa - Claro que eu gostaria de chegar à decisão com os sete pontos de vantagem que o Hamilton tem. Mas não se pode ficar olhando para trás e lamentando o que aconteceu. Somos uma equipe. A Ferrari errou, eu também cometi erros, mas não podemos responsabilizar ninguém pelas falhas. Somos um time: ganhamos juntos, perdemos juntos.

É Craque! - A vantagem de sete pontos de Hamilton é injusta?

Massa - Não existe essa coisa de justiça na Fórnula 1. Isso é papo de chorão. O Hamilton está à frente porque ele e a McLaren foram mais eficientes do que eu e a Ferrari, mas isso ainda pode mudar.

É Craque! - Já definiu uma estratégia para superar Hamilton?

Massa - Minha única estratégia possível é terminar a corrida na frente dele. O que acontecer daí para trás não depende mais de mim.

É Craque! - Você está confiante no título? É possível superar a McLaren?

Massa - É difícil, mas não é impossível como já vimos em outras oportunidades. Acho que seremos competitivos em Interlagos e a McLaren também deve vir bem, mas o retrospecto dos últimos anos nos favorece.

É Craque! - Para o duelo final, o jogo de equipe será fundamental. O que você pode esperar do Kimi na decisão?

Massa - Espero que ele ajude a completar a dobradinha da Ferrari. Para quem precisa descontar sete pontos do Hamilton, é claro que a contribuição do Kimi será fundamental.

É Craque! - A decisão da Ferrari em definir muito tarde quem seria o primeiro piloto na disputa pelo Mundial atrapalhou?

Massa - Acredito que não. A política da Ferrari é a de brigar pelos dois títulos, de pilotos e construtores. Quando um piloto deixa de ter chances de chegar ao título, o outro tem a preferência. E isso só ocorreu a partir do momento em que o Kimi ficou de fora da briga.

É Craque! - Em 2007, a diferença era a mesma entre Kimi e Hamilton. Você acredita que um raio pode cair duas vezes no mesmo lugar?

Massa - A decisão do ano passado não foi a primeira que terminou em virada e provavelmente não será a última. Mas, repito, minha primeira preocupação é ganhar a prova, o que já seria uma enorme alegria para mim.

É Craque! - 1991, último título Mundial de Fórmula 1 de Senna. São 17 anos sem um brasileiro levantar a taça. Você se preocupa com números?

Massa - Sei que existe uma ansiedade pela conquista do título, pela tradição que o Brasil construiu na Fórmula 1. Vou fazer o possível para encerrar esse jejum, mesmo sabendo que minhas possibilidades são pequenas se comparadas com as do Hamilton.

É Craque! - Como é ser o primeiro piloto brasileiro, desde Ayrton Senna, a ter condições reais de ser campeão de Fórmula 1?

Massa - Eu me sinto orgulhoso de chegar à última etapa da temporada, em minha casa, com chances de ser campeão. Não sou o favorito ao título, mas vou fazer de tudo para ganhar o GP do Brasil, que para um brasileiro tem praticamente a mesma importância de ser campeão.

É Craque! - Rubens Barrichello sofria com o estresse gerado pela expectativa do público de que ele fosse um substituto do Ayrton Senna. As inevitáveis comparações com Senna também te assustam?

Massa - As épocas eram diferentes. Rubinho estreou na Fórmula 1 um ano antes da morte do Ayrton e virou uma espécie de herdeiro, o piloto por quem o País passou a torcer. Mas o Rubinho correu vários anos por equipes pequenas, sem chance de vitória. Eu peguei uma outra fase, sem tantas cobranças desse gênero.

É Craque! - Como é sua relação com o Michael Schumacher?

Massa - Ótima. Somos amigos, nos falamos sempre, ele me ensinou muito nos tempos em que trabalhamos juntos. Ele vem às corridas de vez em quando, não virá ao Brasil, e continua participando das reuniões com os técnicos. Mas não dá palpites do tipo, essa mola é melhor do que aquela... Ajuda mais nas questões estratégicas.

É Craque! - Quem são seus ídolos na Fórmula 1?

Massa - Não são exatamente ídolos, mas dos pilotos que vi ou trabalhei é claro que o Ayrton e o Schumacher estão acima dos demais.

É Craque! - Você está ansioso? Acredita que vai perder o sono antes da decisão?

Massa - Não fico ansioso por causa da decisão. Na verdade, a noite mais agitada para mim é a da quinta-feira, porque não vejo a hora de chegar a sexta para sentar no carro e acelerar. Nas demais, inclusive do sábado para domingo, durmo sem qualquer problema.

É Craque! - Uma frase de confiança aos brasileiros que vão te acompanhar em Interlagos?

Massa - Torçam por mim, porque já assisti a vários grandes prêmios das arquibancadas e sei como o apoio dos torcedores é importante.

É Craque! - Eles podem esperar o título?

Massa - Podem esperar que vou dar o meu melhor. O resto a gente vê depois...

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"A prata poderia pesar um pouco mais na consciência"



A atacante Cristiane, do Corinthians, esteve em Goiânia para fortalecer ainda mais o futebol feminino no Brasil. A equipe do É Craque! aproveitou a oportunidade para um bate-bola com a medalhista de prata nos jogos de Pequim. Ela falou sobre a renovação na seleção brasileira; a falta de apoio; a diferença entre o tratamento Brasil e Europa e sobre o Corinthians. 

A seguir, leia a íntegra da entrevista:

É Craque! - A conquista da prata em Pequim mudou alguma coisa no que diz respeito ao incentivo ao futebol feminino brasileiro?

Cristiane - Pouca coisa. Temos o campeonato paulista que acontece todo o ano. Nos outros estados não sei como funciona a organização. Agora, o paulista é uma competição forte, mas não mudou muito em termos de mais campeonatos e não foi anunciada nenhuma mudança ou novidade. Talvez em 2009 seja anunciado um campeonato grande. No momento, jogamos apenas o paulista que vai de abril até novembro, depois não sei o que acontece.

É Craque! - Como mudar esta situação?

Cristiane - Faltam os incentivos e apoio. Nós da seleção feminina já provamos nosso valor para todo mundo e não precisamos mais provar nada para ninguém. Acredito que os clubes grandes deveriam abraçar essa causa e ajudar o futebol feminino, como faz o Corinthians e o Santos. A medalha de prata poderia pesar um pouco mais na consciência pelo nosso desempenho nos últimos dois anos, mas os passos são bem curtos e agora a única alternativa é esperar.
 
É Craque! - Você acredita na popularização?

Cristiane - Para popularizar é preciso de campeonatos e de políticas que favoreçam a modalidade. Para ser sincera, perdi um pouco a esperança. Em 2004, após a conquista da medalha de prata em Atenas vieram promessas, mas ficaram apenas nas gavetas. Para mim, por exemplo, não mudou muita coisa. Espero que no ano que vem possa render algo para as meninas que estão começando.

É Craque! - Renovação na seleção?

Cristiane - Natural. Agora vai ter o Mundial Sub-20 e algumas meninas falaram que vão parar. É o caso da Maranhão, Formiga, Maycon e Andréia. Acho que deve ter renovação sempre. Comecei da base e todas que estão aparecendo precisam dar continuidade ao trabalho que vem sendo feito.

É Craque!- E o Corinthians?

Cristiane - Estou feliz. Fico lá até o fim do ano e para 2009 tenho algumas propostas, mas ainda não tenho idéia de onde posso jogar futuramente.

É Craque! – Qual a diferença do tratamento no futebol europeu e o brasileiro?

Cristiane - Lá tem um calendário organizado para o ano todo, o pessoal valoriza e gosta do futebol feminino. Aqui também já mudou muito em relação ao público que vem comparecendo em bom número aos estádios. Acho que conseguimos mudar a cabeça de algumas pessoas, que hoje admiram o nosso futebol. Em questão de estrutura dos clubes, eles tentam ajudar de alguma maneira a atleta, mas não tem comparação com o futebol europeu. Coisa de outro mundo.

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"Quero brigar novamente por uma medalha"


Desde a medalha de ouro no salto em distância, a campeã olímpica Maurren Maggi ainda não teve tempo suficiente para aproveitar a glória com a filha Sophia. Entre tantas entrevistas e competições. Em entrevista exclusiva ao É Craque!, por telefone, a campeã contou que se considerava favorita para Pequim - como há oito anos na primeira Olimpíada, em Sydney, em que foi apenas a 25ª colocada. "Fiz minha lição de casa corretamente". Fez e agradou todos os brasileiros.  
 
Com ouro garantido no salto de 7,04m em Pequim, ela se tornou a primeira mulher brasileira a ganhar a medalha dourada em esportes individuais nas Olimpíadas. "É o auge da minha carreira, me sinto totalmente realizada e feliz por ter sido a primeira mulher brasileira a conquistar ouro em esportes individuais", disse emocionada. Ela também falou do período que ficou afastada do esporte por causa de doping e sobre como tenta convencer a  Sophia que o ouro é mais importante que a prata. "Já repeti para a minha filha diversas vezes que a medalha de ouro é a mais importante para um atleta. Aí ela me pede o ouro e a prata", brinca.

É Craque! – Tem como traduzir em palavras o significado da medalha de ouro?

Maurren – É o auge da minha carreira, me sinto totalmente realizada e feliz por ter sido a primeira mulher brasileira a conquistar uma medalha de ouro em esportes individuais em Olimpíadas. Acredito que para qualquer atleta ganhar uma medalha de ouro é o coroamento mágico por tudo aquilo que vem sendo feito nos treinamentos.

É Craque!– A conquista era o que faltava na sua carreira?

Maurren – Com certeza. Depois de tudo que passei no caso do doping agora é tudo tão maravilhoso. Se eu tivesse ganhado o mundial no ano passado seria uma glória diferente, mas nunca igual a uma olimpíada. Não tenho como explicar. Viver aquele momento irá ficar marcado na minha carreira.

É Craque! – O que mais te deixou chateada no caso do doping?

Maurren – Muita coisa. Principalmente eu não poder me defender, parecia que eu era uma criminosa. Por mais que eu tentasse me defender, o resultado não iria mudar a substância estava no meu corpo. Infelizmente o exame deu positivo e tive que ficar parada por dois anos. Acredito que tirei daquele momento aprendizados para o resto da minha carreira.

É Craque! – O ouro em Pequim foi uma resposta?

Maurren – A medalha foi uma resposta para muita coisa. Tive que provar para mim mesma que sou capaz de superar as adversidades. E, claro, foi também um desabafo por tudo que passei. Graças a Deus, consegui o feito e hoje me sinto realizada como atleta.

É Craque! – Pretende ir para os Jogos Olímpicos de Londres?

Maurren – Já estou contando os minutos para sentir novamente meu coração apertadinho de saudades da minha filha e de saber que tem muita gente torcendo por mim. Quero brigar novamente por uma medalha, e para isso vou treinar firme para chegar lá e saltar acima de sete metros novamente, o que pode me colocar novamente no pódio. Não vejo a idade como um problema, estarei com 36 anos e competitiva.

É Craque! – Ficou decepcionada com o quarto lugar no Grande Prêmio de Lausanne, na Suíça uma semana depois das Olímpiadas?

Maurren – Claro que não. Não tive tempo de treinar depois que voltei de Pequim. Fiquei a maioria do tempo atendendo a imprensa. Estou esperando a poeira baixar um pouco para dar continuidade nos treinamentos e na minha vida pessoal.

É Craque! – Você se considerava favorita a medalha de ouro em Pequim?

Maurren – Sim. Os holofotes estavam sempre me focando, mas não dei muita atenção para isso, eu estava muito consciente do salto que eu poderia dar. Fiz minha lição de casa corretamente. Acredito que ter feito de cara o salto de 7,04m acabei jogando a responsabilidade para as demais adversárias. Isso com certeza facilitou, elas tiveram que arriscar mais. 

É Craque! – A Sophia já se acostumou com a medalha de ouro?

Maurren – Ainda não. Já repeti para a Sophia diversas vezes que a medalha de ouro é a mais importante para um atleta. Aí ela me pede o ouro e a prata. Depois vou tentar resolver esse problema, não sei como, mas vou tentar. 

É Craque! – Qual o segredo do seu treinador Nélio Moura, ouro também com o panamenho Irving Saladino no salto em distância?

Maurren – Ele é muito exigente, ético, inteligente, estudado, perfeccionista e cobra sempre nosso melhor nos treinos. Não sei se existe salto perfeito, mas se existir, o Nélio vai fazer a gente saltar.

É Craque! – Você vai ganhar uma estátua em São Carlos-SP?

Maurren – Sim. Ela vai ficar pronta até o fim do ano. É uma homenagem maravilhosa. Diria um sonho na minha vida. Imagina você ter uma estátua só sua. Não tem como explicar a total emoção que estou vivendo neste momento.

É Craque! – É complicado conciliar a carreira de atleta com a de mãe?

Maurren – Sempre quando posso levo a Sophia nas competições. Ela é meio que um amuleto da sorte, um mascotinho para o grupo. O que posso dizer é que ela não me dá trabalho algum, e minhas vitórias são frutos da força que tiro com minha filha. Ela foi minha força para superar o caso do doping.

É Craque! – Pretende algum dia posar nua para uma revista masculina?

Maurren – Não sei ainda. Acho que não tem nada a ver comigo. Admiro muito o trabalho das meninas que já posaram, não é nada pessoal. A minha amiga, a ex-jogadora de basquete Hortência, me disse que eu tenho que tirar a roupa de qualquer jeito, mas sei lá, acho que a Sophia não iria entender nesse momento.

É Craque!– Após o problema passado pela Fabiana Murer, no salto com vara, a campeã olímpica, a russa Yelena Isinbayeva disse que se tivesse visto o problema com a brasileira emprestaria uma vara adequada para aquele tipo de salto. Você acredita nisso?

Maurren – Complicado avaliar este fato. Eu acho que não. Eu disse recentemente que não emprestaria minha sapatilha caso acontecesse comigo. Mas, por exemplo, no Mundial disputado na Suíça, eu emprestei para minha amiga Keila Costa. Claro que era um Mundial, em Olimpíadas a história seria totalmente diferente. Como também já alcancei meu objetivo eu emprestei na boa para ela.

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Artilheiro e vereador, Túlio Maravilha de bem com a vida


Mal foi eleito vereador e Túlio Maravilha já pensa no senado. O atacante foi o terceiro vereador mais votado da capital, no último domingo, com 10.401 votos. A boa fase vivida no Vila Nova, segundo colocado na Série B, fez com que o artilheiro da competição não ficasse surpreso com o resultado. "Sou popular e agora vou agradecer todo mundo pela força que recebi". E garante: "Não saio de Goiânia".
 
Em entrevista ao É Craque!, o artilheiro fala sobre os projetos na carreira política, dos planos futuros.

É Craque! – Como explicar tanta popularidade nas eleições? 

Túlio Maravilha - Esperava ser eleito por tudo aquilo que faço no futebol. Sou carismático e tenho orgulho de ser goiano. Agora vou agradecer todo mundo pela força que recebi.

É Craque! - Então, você descarta a possibilidade de deixar Goiânia em 2009?

Túlio Maravilha - Claro. Seria uma injustiça deixar os eleitores que confiaram em mim nas urnas. Vou ficar até o fim do mandato e não tem como sair de Goiânia. Não tem como jogar fora o que conquistei. Não vou virar as costas para o povo que me elegeu, pois tenho que assumir esse compromisso. Me considero patrimônio do estado e quero divulgar a capital por todo o Brasil. 

É Craque!  - Como conciliar carreira política e o futebol?

Túlio Maravilha - As duas coisas vão andar juntas e eu acredito que com força e determinação o trabalho será bem feito na política e dentro dos gramados. Não vou pedir licença ano que vem. Estarei tomando posse do meu mandato. Quando eu estiver ausente por causa do futebol, os meus assessores podem me representar na Câmara. 

É Craque!  - No início do ano você fez três promessas: ser artilheiro da Série B, conquistar o acesso e se tornar vereador. Duas cumpridas. E o acesso?

Túlio Maravilha - Não é promessa de político não viu. O Vila vai subir para a Série A. Acredito no grupo e estamos focados para confirmar o sonha nosso e da torcida vilanovense que vem fazendo a sua parte no Serra Dourada. 

É Craque! - Por que você resolver se candidatar?

Túlio Maravilha - De tanto ver impunidade e ausência dos políticos dentro da Câmara. Como jogador, o Túlio não tem o poder da caneta. Como político, fica mais fácil transformar esses trabalhos em realidade. 

É Craque!  - Quais são os projetos?

Túlio Maravilha – Quero implantar o Instituto Túlio Maravilha nas periferias de Goiânia para tirar os adolescentes das ruas, das drogas e da violência. Eles terão acompanhamento psicológico, nutricional, para dar um futuro melhor a eles. 

É Craque!  - Pretende concorrer a Senador em 2010?

Túlio Maravilha - Fiquei muito feliz pela quantidade de votos que recebi. Quando divulguei minha campanha no interior do estado fiquei surpreso com a quantidade de pessoas que apoiaram minha candidatura. Por causa disso, vou colocar meu nome a disposição do partido e pretendo sim concorrer a senador.

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"Quero mudar a cor da minha medalha"



A Taekwondista de Londrina-PR, Natália Falavigna, se tornou a primeira medalhista olímpica da história da modalidade no Brasil com o bronze em Pequim, na categoria acima de 67 kg. Perfeccionista, Natália já se prepara para as Olimpíadas de Londres, em 2012. O pensamento? Trazer o ouro.
 
A medalhista começou a se dedicar à luta por acaso, mas desde o início com afinco. Aos quatro anos, quando viu o judoca Aurélio Miguel conquistar o ouro em Seul-88, Natália já tinha uma certeza: também queria ser campeã. "Ele é um exemplo para o esporte brasileiro, meu ídolo", diz.  

Em entrevista exclusiva ao É Craque!, por telefone Natália falou por quase uma hora sobre a falta de incentivo que o Tae Kwon do sofre no Brasil, das necessidades de aumentar a verba na modalidade e da falta de ídolos brasileiros e, claro, sobre o bronze de Pequim. 
 
É Craque! - A medalha de bronze em Pequim é um bom motivo para o esporte ganhar mais incentivo?

Natália Falavigna - Espero que sim. O Tae Kwon do é bastante carente de incentivo no Brasil. Acho que os governantes precisam tratar o esporte de uma forma diferente, com apoio e fiscalização. É preciso saber onde o dinheiro está sendo investido, o que se pode fazer para melhorar. Porque o dinheiro aparece, mas precisamos ter consciência no que estamos investindo para melhorar as condições de treino e popularizar o esporte. 

É Craque! - A verba destinada a modalidade em Olimpíadas é pouca?

Natália - Muito pouca. Espero que com o meu resultado a verba destinada ao Tae Kwon do seja repensada. Não pode acontecer de alguns atletas ganharem mais e outros menos, é preciso ter uma igualdade. Todo atleta precisa se sentir valorizado para dar o seu melhor. 

É Craque! - Se você fosse presidente da república por um dia, o que você faria em prol do esporte?

Natália - (Risos)... A pergunta é muito criativa. Eu iria aprovar várias leis de incentivo ao esporte. Não acho viável pensar no esporte apenas próximo aos Jogos Olímpicos. Outra medida que eu tomaria é pensar numa forma pela qual as empresas privadas possam investir mais no esporte. São tantas coisas, mas acho que tudo que eu falei já estabeleceria uma cultura esportiva nas escolas e sairíamos com vários campeões olímpicos formados em solo brasileiro.

DM - Antes das lutas você se concentra com músicas evangélicas. É um ritual?
Natália - É a maneira que eu encontro de ficar mais próxima de Deus antes de uma luta. Como sou uma atleta evangélica, os louvores me deixam mais fortes nos tatames e consigo superar minha adversária.


É Craque! - Faltam ídolos no Tae Kwon Do?

Natália - Claro. Nunca tive ninguém na modalidade para me espelhar. Aos quatro anos, vi o judoca Aurélio Miguel ser campeão olímpico. Foi bacana. Ele é um exemplo, meu ídolo. No Tae Kwon Do, os resultados postivos que os atletas vem conquistando em Pan-Americanos e nas Olimpíadas  pode resultar na formação de futuros ídolos, que ainda não temos. Espero contribuir. 

É Craque! - Já está com a cabeça nas Olímpiadas de Londres?

Natália - Com certeza. Já retomei meus treinos em Londrina. Quero ir para Londres daqui a quatro anos e mudar a cor da minha medalha. Tenho convicção que virão tempos aureos agora para o Tae Kwon do e vou com tudo para buscar a medalha de ouro.

É Craque! - Existe favoritismo em Olimpíadas?

Natália - Que nada. Você nunca sabe o que o seu adversário pensa. Ele pode te acertar um golpe e definir a luta num instante. Não dá muito para pensar em favoritismo. Quando se está no tatame é fundamental colocar em prática tudo que você fez nos treinos.


É Craque! - Antes de cada luta em Pequim, o que você pensava?

Natália - Sinceramente eu só pensava em me divertir. Com muita tranquilidadee eu fiz o que eu mais gosto de fazer: lutar.

É Craque! - Pequim foi a Olimpíada das mulheres?

Natália - Olha, toda mulher tem dentro de si a vontade de se superar. Eu fui  para os jogos preparada para vencer. Treinei forte e nas lutas eu estava solta, mas isso é de cada um. Acredito que os homens também estavam com a intenção de fazer bonito, mas na vida nem sempre é possível galgar horizontes maiores. 

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"Agora a ficha caiu"



A natação brasileira volta a viver bom momento no esporte. E o responsável pela mania é o paulista de Santa Bárbara D'Oeste, César Cielo Filho, primeiro medalhista brasileiro a conquistar medalha de ouro em Jogos Olímpicos. Antes dele, as principais glórias nas piscinas eram de prata, duas com Gustavo Borges (100 m livre em Barcelona-1992 e 200 m livre em Atlanta-1996) e uma com Ricardo Prado (400 m medley em Los Angeles-1984). Mas em Pequim, veio o auge da natação brasileira: a conquista do ouro nos 50m livre com César Cielo Filho. Foram 34 braçadas, nada de respiração e o tempo de 21s34, novo recorde olímpico, deixando para trás os franceses Amaury Leveaux com 21s45 para levar a prata, e Alain Bernard, atual campeão olímpico dos 100 m livre, bronze com 21s49.

Em entrevista exclusiva ao É Craque!, Cielo conta a sensação de ser campeão olímpico, o que veio na cabeça antes de cair na piscina, na prova que lhe deu o status de ídolo nacional e a responsabilidade daqui para frente. Confira na íntegra a entrevista.

É Craque! - Você esperava logo na primeira olimpíada ganhar duas medalhas (ouro e bronze) e superar o Xuxa e o Borges?

Cielo - O meu objetivo sempre foi o pódio nas Olimpíadas e fiquei muito feliz de ter conquistado as duas medalhas. Nunca quis soar metido nem nada, mas estava muito confiante em um bom resultado.
 
É Craque! - Antes de cair na piscina na prova dos 50m livre o que se passou na sua cabeça?

Cielo - Eu só pensei em dar tudo de mim na piscina.

É Craque! - Qual a sensação de ganhar uma medalha olímpica? A ficha já caiu?

Cielo - Agora a ficha caiu. É sensacional ganhar a medalha, subir ao pódio, ouvir o hino e ver meus pais ali. Não tem explicação.

É Craque! - Alguns atletas brasileiros favoritos ao ouro não se saíram bem nos jogos. A questão psicológica pesa?

Cielo - Acredito que o aspecto psicológico conta bastante. Muitas vezes o corpo está preparado, mas a cabeça não. Então é importante ter a mente bem preparada também para colocar em prática tudo que foi feito nos treinos.
 
É Craque! - A figura do Michael Phelps te motivou a buscar o ouro? 
 
Cielo - O Phelps é um excelente nadador que domina suas provas. Tem o corpo e a cabeça em ordem, é preparado para ganhar.

É Craque! - Agora o Brasil vive a "Cielomania". Gostaria que você falasse da importância de formar ídolos no esporte para incentivar mais praticantes.

Cielo - Cielomania é exagero rs... Mas acho muito importante. Eu me espelhava no Gustavo Borges e no Fernando Scherer, queria ganhar como eles. Espero que as crianças agora também tenham vontade de nadar depois da minha medalha.

É Craque! - Faz três anos que você vive e treina nos Estados Unidos. Você acredita que se sua preparação fosse feita aqui no Brasil o resultado nas Olimpíadas seria o mesmo?

Cielo - Sim. Temos muitos nadadores que saíram muito bem treinando no Brasil, como o Thiago Pereira e o Kaio Márcio.

É Craque! - Como você avalia as condições de treino no Brasil? É possível formar um campeão mundial e olímpico em nossas piscinas?

Cielo - As condições de treino são boas e temos bons técnicos, como citei antes, temos o Thiago e Kaio que tem importantes resultados treinando no Brasil. Para mim deu certo lá fora, assim como para eles deu certo aqui dentro. Na verdade temos que ver o que é melhor em determinado momento para cada um. Eu treinei um bom tempo no Pinheiros com o Albertinho e também deu certo. O importante é que todos sempre tenham oportunidade de estar nos campeonatos internacionais, enfrentando atletas de bom nível.

É Craque! – Qual a diferença do treinamento nos Estados Unidos para o brasileiro? Fale também da estrutura e cultura do esporte norte-americana?

Cielo - A cultura de competição deles é muito mais forte do que a nossa, mas a rotina de treinos é muito semelhante. Por exemplo, em Auburn sugerem que perto de competições se evite ter relacionamentos mais sérios, como namoro, para que o atleta mantenha o foco na competição.
 
É Craque! - Qual  sua avaliação sobre o futuro da natação brasileira?

Cielo - Eu acho que essa geração que eu pertenço é maior e já trouxe muitos resultados bons. Espero que daqui para frente a natação cresça ainda mais no país.

É Craque!- Na natação, quais são os seus planos para o futuro? E o que ainda é sonho?

Cielo - Tenho muitos planos ainda. Ano que vem acontece uma das principais competições da natação, que é o Mundial em Roma, o foco é nessa competição. Ainda tenho sonhos, mas esses eu não falo, né?

É Craque! - Você já está preparado para cobranças ainda maiores em torno da sua carreira?

Cielo - Sim. Eu sei que a medalha traz responsabilidades e estou preparado para elas.

É Craque! - Após sua conquista veio a tona o impedimento que o patrocínio lhe dá na questão do namoro. Além de namorar, o que mais o contrato lhe proíbe?

Cielo - Meu patrocínio não me impede de nada. Quando eu entrei na universidade de Auburn e no time de lá, recebi, assim como todos os outros atletas, uma sugestão para que, em época de campeonatos, evitássemos relacionamentos como namoro. Mas de forma alguma é uma proibição, é apenas uma sugestão para que o foco esteja apenas na preparação.

É Craque! - Existe a possibilidade de você voltar a treinar no Brasil?

Cielo - Ainda estou avaliando o que vou fazer. Sei que os próximos meses estou por aqui.

É Craque! - As poucas medalhas brasileiras nas Olimpíadas é o retrato de um país que não investe no esporte?

Cielo - Acredito que estamos melhorando, basta ver o resultado da ginástica por exemplo. Mas seria muito bom que tivéssemos mais investimento sim.

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Indignação do Mão Santa


Decepção. Uma palavra que nunca fez parte da carreira vitoriosa do maior ídolo do basquete brasileiro, Oscar Schmidt, 50 anos, mais conhecido como "mão santa". Hoje, o momento do basquete nacional não combina com sua história na seleção. A seleção ficou fora dos Jogos Olímpicos pela terceira vez consecutiva, o que vem marcando a nova era do basquete brasileiro são fracassos, ausências e discussões. A última lembrança das Olimpíadas foi em 1996 em Atlanta – EUA. E se depender de Oscar ainda vai demorar um pouco para o Brasil voltar aos jogos. "Estamos abaixo das melhores equipes do mundo, e por isso é normal ficar de fora novamente das olimpíadas", aceita.

O ídolo também lamenta a falta de comprometimento dos atuais jogadores com a seleção. Segundo ele, foram dadas muitas desculpas para não participar do pré-olímpico. "Todos ficaram machucadinhos ao mesmo tempo, a mim não me convenceram". Ele também critica o astro brasileiro da NBA, o armador Leandrinho, do Phoenix Suns, que pediu dispensa da seleção por causa de uma lesão e ficou de fora do pré-olímpico, na Grécia e depois foi visto jogando em uma partida de futebol beneficente. "Talvez somente o Nenê tivesse uma desculpa mais forte, os outros não, se você se machuca não joga futebol, nem beneficente", lamentou.

Mesmo com tantos problemas, para o "mão santa" existe uma solução para que futuramente a seleção possa voltar aos jogos futuramente. "Precisamos urgente de escolinhas no Brasil inteiro patrocinadas pela Confederação Brasileira de Basquete (CBB) e uma Liga dos Clubes. Tem muito mais, mas esses dois problemas são mais urgentes para salvar o futuro do basquetebol brasileiro", aposta.

Em entrevista exclusiva concedida novamente ao É Craque!, Oscar aproveitou para falar do técnico espanhol Moncho Monsalve, da programação feita para o pré-olímpico e principalmente a ausência do Brasil nas Olimpíadas. Confira a íntegra da entrevista:

É Craque! - A última participação da seleção brasileira de basquete nos Jogos Olímpicos foi em 1996. Por que nunca mais o Brasil conseguiu voltar aos jogos?

Oscar – Acredito que o problema é a falta de massificação da Confederação Brasileira de Basquete, CBB. Eles fazem muito pouco pelo basquetebol brasileiro, precisamos urgente de escolinhas no Brasil inteiro patrocinadas pela confederação e uma Liga dos Clubes. Tem muito mais, mas esses dois problemas são os mais urgentes.

É Craque! - Pelos jogadores que temos no cenário mundial era para a seleção ter se classificado para Pequim?

Oscar – Não. Estamos abaixo das melhores equipes do mundo, e é normal ficar de fora novamente das Olimpíadas. A seleção sofre pela falta de um líder dentro da quadra.

É Craque! - Falta comprometimento com a seleção?

Oscar - Falta. A Seleção infelizmente passou para o segundo plano na cabeça de alguns jogadores importantes. Desde que minha geração saiu da seleção temos dificuldades graves, mas acredito que isso seja fruto de más escolhas dos dirigentes sobre: técnico, treinamento, mentalidade, disciplina etc.

É Craque! - O técnico espanhol Moncho Monsalve tem culpa? Se existe culpa, é de quem?

Oscar - Culpa do quê? Ele veio treinar uma seleção e encontrou outra, ele é o menor culpado de todos pelo insucesso. Desta vez, se quiser culpados, culpe os jogadores que desertaram e a CBB, que faz tempo que não consegue engrenar no comando.

É Craque! - Você é a favor ou contra um treinador estrangeiro no comando? Por quê?

Oscar - Sou contra. Mas isso não quer dizer que ele seja ruim. Os nossos também não conseguiram superar este mau momento, mas prefiro que a seleção seja dirigida por um brasileiro.

É Craque! - A programação para o pré-olímpico foi mal feita?

Oscar - Até que não. Dentro do que podíamos fazer fizemos, o problema foi ter tido seis baixas importantes. Mesmo com eles juntos ao grupo não nos classificaríamos, mas não podemos participar de um campeonato classificatório para as Olimpíadas com nosso time reserva.

É Craque! - Dispensas. Uma palavra que ficou comum na nova era da seleção. Como você avalia as ausência de Leandrinho, Nenê, Anderson Varejão e outros no pré-olímpico?

Oscar - Fui jogador e não me convenceram. Talvez somente o pivô Nenê tivesse uma desculpa mais forte, os outros não, se você se machuca não joga futebol, nem beneficente. Lamento a forma como eles trataram a seleção.

É Craque! - Foram dadas desculpas para não vestir a camisa do Brasil?

Oscar - Todos ficaram machucadinhos ao mesmo tempo, a mim não convencem.

É Craque! - Existe alguma luz no fim do túnel para o futuro da seleção?

Oscar - Claro que existe, mas tem que partir da CBB. Estou cansado de dar minhas opiniões pela imprensa e ter uma rejeição incrível. Todos demoram muito para acatar, mas antes tarde que nunca.

É Craque! – A situação atual da seleção te deixa triste?

Oscar - Claro que estou, e o pior é não ver muito mais gente chateada dentro do basquete.

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Pressão em Pequim


Derrota. Uma palavra que pesa para quem não está acostumado a perder e certamente está soando no ouvido de todos os jogadores da seleção brasileira de vôlei, desde domingo, quando perderam a disputa pelo terceiro lugar da Liga Mundial e pela primeira vez em dez anos ficaram fora de um pódio. Não é diferente para o goiano Dante, um dos melhores em quadra nas inesperadas derrotas, que ainda não saem da cabeça do ponteiro. "Foram duas derrotas marcantes, é difícil cicatrizar, mas precisamos voltar a vencer", afirma.

E para ele – e todos os brasileiros, diga-se de passagem – não existe melhor lugar do que nas Olimpíadas de Pequim. Como o próprio Dante gosta de dizer "queremos fechar esse ciclo com chave de ouro". Ele explica: "Quando falo em ciclo, é que de quatro em quatro anos começa um ciclo que termina nos Jogos Olímpicos".

E a essa altura, ainda digerindo duas derrotas amargas em casa, não há mesmo como pensar em outra coisa. A preparação continua intensa aos favoritos a medalha de ouro. Mas Dante tem os pés no chão: "Favoritismo não ganha jogo, isto ficou provado na Liga, nosso grupo agora está focado em Pequim". De treino de luxo a pesadelo de luxo, a Liga Mundial deste ano não vai atrapalhar as ambições de cada um, muito menos as de Dante, que em entrevista exclusiva ao É Craque!, revelou que sempre detestou perder. "Não entro em quadra pensando que existe a possibilidade de uma derrota".

É com esse espírito otimista e determinado que Dante conta como o grupo encarou a difícil ausência do pódio e como isso serviu de lição para as Olimpíadas, além da renovação que vem ocorrendo no grupo. Leia a íntegra da entrevista:

É Craque! - Na era Bernardinho, é a primeira vez que a seleção brasileira de vôlei fica fora do pódio. Como foi este momento para você?

Dante - Triste e estranho. Um dia depois daquela dia, dormimos com a imagem da seleção dos Estados Unidos no lugar mais alto do pódio. Mas, as derrotas servem como estímulo para voltar a vencer. Agora é hora de levantar a cabeça. A Liga Mundial é uma página virada para a seleção. Acredito que não tem como se manter este nível sempre, mas queremos fechar esse ciclo com chave de ouro. Quando falo em ciclo, é que de quatro em quatro anos começa um ciclo que termina nos Jogos Olímpicos.

É Craque! - A derrota serve como um sinal de alerta para Pequim?

Dante - Claro. A seleção sempre que entra em quadra, entra pressionada. Temos a consciência que já ganhamos tudo que um time de voleibol pode vencer, mas sempre queremos mais. Estamos tristes por não ter conquistado a Liga diante de nossa torcida. Isso comprova que ninguém é imbatível, quando se joga mal é normal perder. Contra os Estados Unidos, não sei o que aconteceu, eles estavam muito bem taticamente e errando pouco. Contra a Rússia, a noite mal dormida após a derrota e sem forças foram fundamentais para a derrota.

É Craque! – De treino de luxo, a Liga Mundial se tornou um pesadelo de luxo?

Dante - (Risos) Todos falavam que era um treino de luxo, inclusive eu, mesmo assim não é desculpa para a derrota. Nosso grupo estava fechado, queríamos vencer a Liga e igualar as oito conquistas da Itália, mas não deu. Menos mal que tem todo ano. Mas, por outro lado, foi positivo para observarmos as outras seleções. Uma coisa que deixou o grupo todo espantado foi a ausência da Búlgaria nas finais da Liga. Na minha opinião, eles podem complicar nossa vida em Pequim.

É Craque! - Jogar em casa é complicado?

Dante - Não sei o que acontece. Gostamos muito de jogar com nossa torcida, crescemos mais durante as partidas. Mas, tomara que se repita a mesma história de 2003. Naquele ano, perdemos para a Rússia, e depois fomos campeões mundiais e mais tarde olímpicos. Deve ser azar mesmo.

É Craque! - Como encarar este momento chato?Dante - Nosso grupo é experiente. Foram duas derrotas marcantes, é difícil cicatrizar, mas precisamos voltar a vencer. Em Pequim, vamos defender nosso título, todos querem vencer o Brasil. O mais importante é a força do nosso grupo que sempre conseguiu reverter os momentos críticos em um curto espaço de tempo. Todos aqui na seleção têm a capacidade de aprender com a derrota.

É Craque! – Então, perder serve como uma lição?

Dante - Com certeza, mas vou te dizer que odeio perder. Não entro em quadra pensando que existe a possibilidade de uma derrota, sempre entro para vencer. Desde menino nunca gostei de perder ou empatar quando jogava futebol. Mas dá para se tirar uma lição: o esporte é assim, quem joga melhor vence.

É Craque! - Alguns jogadores se pouparam na Liga?

Dante - Acredito que não. Todos queriam vencer. Não nego que exista momentos em que você pensa: poxa vida daqui a alguns dias estarei representando o Brasil nas Olimpíadas, o que acaba fazendo com que você tire um pouco o pé com medo de se machucar.

É Craque! - A seleção vive uma renovação?

Dante - É natural uma renovação num time que vem ganhando tudo há 10 anos. Após os Jogos todo mundo já sabe que Gustavo, Marcelinho e o Anderson irão deixar a seleção. Mas temos jogadores a altura para substituí-los, como é o caso do Samuel e Bruno. Para esta renovação continuar acontecendo é preciso investir mais e criar leis de incentivo ao esporte. Um jogador só se torna de alto nível com apoio. Não é fácil chegar aonde chegamos sem suporte.

É Craque! - A seleção pode ser considerada favorita em Pequim?

Dante - Todos falam que somos os favoritos. Mas favoritismo não ganha jogo, isto ficou provado na Liga. Nosso grupo agora está focado para Pequim, que servirá como uma resposta para nós mesmos, provando que somos capazes de continuar no topo.

É Craque! - Pronto para Pequim?

Dante - Ansioso. Fui uma vez a China, há 10 anos. Não me recordo muita coisa de lá. Aproveito para deixar um recado para o povo goiano: acreditem na seleção, não vai faltar treinamento e garra. Este ouro só não vem para o Brasil se os caras jogarem muito. Se Deus quiser vamos conquistar mais uma medalha de ouro.

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Sem vencer há quatro jogos, Givanildo balança, mas não cai

No futebol brasileiro, quando os resultados não são os esperados o primeiro a cair é sempre o treinador. Nesta semana, após a derrota para a Ponte Preta, o técnico do Vila Nova, Givanildo Oliveira, ainda não tem o cargo ameaçado, mas uma derrota para o Gama, no sábado, em Brasília, pode começar a pesar sobre as costas do comandante.

"Givanildo não é o único responsável por essa fase do clube na competição. Quando vencemos, vencemos juntos, quando perdemos todos são responsáveis. Não tem essa de mais ou menos culpa, cada um tem sua parcela. Todos nós estamos pecando nos jogos em casa e fora. Precisamos de concentração para errar menos e voltar a subir na classificação", defendeu o artilheiro Túlio Maravilha.

Mesmo com o otimismo de Túlio, mudar de técnico quando as coisas não vão bem é uma filosofia que vem sendo provada ano após ano. No Campeonato Brasileiro da Série A deste ano já caíram 12 treinadores em 14 rodadas. Na Série B, a quantidade também é alta: dez trocaram de cadeira.

ENTREVISTA - Diretor de Futebol do Vila Nova - Paulo Roberto Bering

"Confiamos no Givanildo"

Antes da partida contra a Ponte Preta, o Vila estava há seis partidas sem perder, mas por outro lado há três sem vencer. Depois da derrota, o discurso mudou: agora são quatro partidas sem vitórias. Com a falta de boas exibições e o distanciamento dos primeiros colocados, se comentou muito a possível saída do técnico Givanildo caso o time não vença o Gama, amanhã. Em entrevista ao É Craque!, o diretor de futebol do clube, Paulo Roberto Bering, confia no trabalho do técnico e aposta em dias melhores.

É Craque! - A situação do Vila na Série B é complicada?

Bering – É preocupante. Não vencemos há quatro partidas, mas tenho fé que iremos reverter isso já para o próximo jogo contra o Gama. Precisamos voltar a sonhar com a chegada ao G-4.

É Craque! – Qual sua avaliação sobre o trabalho do Givanildo?

Bering - Givanildo é um treinador competente, experiente, por onde passou realizou bons trabalhos. Acho que estamos a cinco pontos do G-4, em condições de brigar pelo campeonato. Outro ponto positivo: o Vila sempre figurou entre os primeiros. Não há que se falar em alteração de comando.

É Craque! - Como explicar a queda de produção?

Bering - Venho conversando com os jogadores, e eles estão confiantes que de uma hora para a outra a situação vai melhorar. O que ocorre é o seguinte: até o jogo contra a Ponte Preta estávamos há seis jogos sem perder, foi só perder, que o trabalho começou a ser questionado por todos.

É Craque! - Caso o time não vença o Gama, Givanildo corre perigo?

Bering - Trocar de técnico a todo momento não me parece ser a medida mais adequada. Há outros clubes que estão mal na tabela e trocaram de técnicos e não surtiu efeito. Então, a experiência nos mostra que não é por aí não. Acho que só se deve trocar de treinador quando o clube não acreditar mais no trabalho, o que não é o caso no Vila.

É Craque! - A diretoria está contente com o treinador?

Bering - Confiamos no Givanildo e estamos contentes com o trabalho que ele vem realizando no clube, apenas estamos esperando que os resultados sejam melhores e que o time possa chegar o mais próximo dos primeiros.

É Craque! - A campanha dentro de casa é ruim?

Bering - Preocupa. Não estamos fazendo grandes exibições. Somos obrigados a reconhecer, mas isso só tende a melhorar com o trabalho e empenho dos atletas. Te garanto que isso não está faltando. Infelizmente não estamos acertando o melhor jogo, mesmo nas vitórias.

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"Hockenheim foi mais uma etapa"


No último domingo um brasileiro brilhou na Fórmula 1. E não foi Felipe Massa. Foi a vez de Nelsinho Piquet, que conquistou seu primeiro pódio, um segundo lugar, onde há 30 anos o pai, o tricampeão Nelson Piquet, estreava: Hockenheim, na Alemanha. Era o dia dele e de uma adorável coincidência. "Esse circuito agora vai ocupar um lugar especial na minha carreira, assim como ocupou na do meu pai", conta o piloto que nasceu em Heidelberg, a 25 quilômetros do circuito e faz aniversário na próxima sexta-feira, 25 de julho.

Nelsinho iniciou a carreira no automobilismo em 1993 no kart, categoria na qual se consagrou tricampeão brasileiro. Em 2002, foi campeão da Fórmula 3 Sul-americana e, em 2004, sagrou-se campeão inglês da Fórmula Inglesa, tornando-se, nos dois casos, o piloto mais jovem a conquistar o título. O brasileiro ingressou na Fórmula GP2 em 2005 e disputou em 2006 a segunda temporada. Neste ano, Nelsinho perdeu um duelo muito especial contra Lewis Hamilton que conquistou o título, com o brasileiro vice-campeão.

Em 2007, Nelsinho iniciou um novo capítulo na carreira como piloto de testes da equipe Renault na Fórmula 1. De lá, foi um pulo para assumir o cockipt titular da escuderia francesa ao lado do espanhol bicampeão Fernando Alonso.

Em entrevista exclusiva concedida por e-mail ao É Craque!, o piloto admitiu ter contado com a sorte na prova de domingo e se mostrou bastante consciente sobre o que quer na carreira. "É óbvio que meu resultado não se deveu apenas à sorte, mas também a minha performance e à estratégia da equipe", afirma. E acrescenta: "Hockenheim foi apenas mais uma etapa. Vou continuar trabalhando duro, como sempre fiz".

A seguir, leia a íntegra da entrevista e veja o que Nelsinho diz sobre o inglês Lewis Hamilton e o companheiro de equipe Fernando Alonso.

É Craque! - O primeiro pódio na sua carreira veio em boa hora?

Nelsinho - Foi excelente ter conquistado esse pódio. É claro que tive sorte com a entrada do safety car, mas o resultado não teria vindo se a equipe não tivesse utilizado uma excelente estratégia e se eu não tivesse correspondido na pista. É sempre bom mostrar seu potencial e estou muito feliz por isso.

É Craque! - Nelsinho, o seu companheiro de equipe, o espanhol Fernando Alonso, comentou após a corrida que você contou com a sorte. Você concorda com a afirmação dele?

Nelsinho - É claro que também contei com a sorte, não tem como negar. Com a entrada do safety car, após o acidente com o alemão Timo Glock, da Toyota, realizei apenas uma parada e levei o carro até o fim. A sorte faz parte do automobilismo e já beneficiou muitos pilotos, entre eles o próprio Alonso. Domingo foi o meu dia. Mas é óbvio que meu resultado não se deveu apenas à sorte, mas também à minha performance e à estratégia da equipe. Sabia que Hamilton vinha muito rápido e Massa nem tanto. Assim, preferi manter meu ritmo para assegurar o segundo lugar, em vez de forçar o carro.

É Craque!- E como é sua relação com o Alonso? Ele está contribuindo para sua formação de piloto?

Nelsinho - Temos uma boa relação profissional. E é claro que aprendo com ele, afinal tenho um bicampeão mundial como companheiro de equipe.

É Craque! - Há 17 anos, dois brasileiros não subiam no pódio, a última vez foi com Senna e o Nelson Piquet. Como é a emoção de ter quebrado este jejum ao lado do Massa?

Nelsinho - Foi excelente, um momento muito especial. O Brasil merece isso. Espero que isso ocorra mais vezes no futuro.

É Craque!– Hockenheim. 1978: estréia do seu pai na F1. Agora, o primeiro pódio seu na Fórmula 1. É uma pista que você gosta de correr? Fale um pouco da coincidência entre os resultados?

Nelsinho - Gosto muito do circuito, é uma pista desafiadora, e que agora vai ocupar um lugar especial na minha carreira, assim como ocupou na do meu pai. Foi uma coincidência bacana, ainda mais porque nasci em Heidelberg, a 25 quilômetros do circuito.

É Craque! - Este ano é um ano de aprendizado? Há pressão por causa da estréia fantástica de Lewis Hamilton no ano passado?

Nelsinho - Estou aprendendo muito este ano sim, afinal muita coisa para mim era novidade, como a rotina de um fim de semana de corrida, os circuitos etc. Não me sinto pressionado pelo desempenho do Hamilton no ano passado. A situação era muito diferente, ele tinha o melhor carro da temporada, o que não é o meu caso. Não é possível cobiçar os mesmos resultados.

É Craque! - O carro da Renault se tornará competitivo para a próxima temporada? É possível duelar de igual para igual com Ferrari e McLaren?

Nelsinho - A equipe está trabalhando duro para isso, mas ainda é muito cedo para dizer. Nem como o carro vai se comportar até o fim desta temporada é possível prever.

É Craque! - O resultado de Hockenheim é o começo de uma nova etapa em sua carreira na Fórmula 1?

Nelsinho - Não, foi apenas mais uma etapa. Vou continuar trabalhando duro, como sempre fiz, para obter o melhor resultado possível para a Renault.

É Craque! - Quais são suas aspirações a curto prazo na F-1?

Nelsinho - Ganhar o máximo de experiência na F1 e marcar mais pontos até o fim da temporada.

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O primeiro brasileiro tricampeão de Fórmula 1


Um dos maiores pilotos brasileiros de todos os tempos. Foi tri-campeão nos anos 1981, 1983 e 1987, competindo de forma muito intensa com seu compatriota Ayrton Senna. Também foi contemporâneo de Alain Prost e outros excelentes pilotos da Fórmula 1 de sua época: entre os anos de 1978 e 1991. Ele é Nelson Piquet,o primeiro brasileiro que se tornou um tri-campeão na Fórmula 1, feito que depois foi igualado por Senna. Em toda a sua carreira na F-1 somou 9872 voltas (liderando por 1600 delas - em 58 GP's) e percorreu 45.474 km de distância total, em corridas. Em entrevista ao É Craque!, Nelson Piquet falou sobre a relação do filho Nelsinho Piquet com o bicampeão Alonso, as condições das pistas de karts pelo Brasil e das chances de Felipe Massa entrar no seleto grupo de brasileiros campeões mundiais de Fórmula 1.

É Craque! - Uma avaliação das pistas de kart pelo Brasil?

Piquet - Olha, estamos defasados. As pistas são velhas, as instalações também deixam a desejar. Eu acho que o Brasil é um país pobre que ainda tem muita prioridade, e o kart fica para um segundo plano. É uma pena, porque o automobilismo no Brasil é o veículo de maior publicidade no mundo, ainda mais com o sucesso do Emerson, depois eu, Senna e agora o Massa isso tudo faz o Brasil ficar muito na evidência no automobilismo. Então, merecíamos um pouco mais de atenção para todos que fazem parte da velocidade, oferecendo um número maior de kartódromos e reforma nas pistas.

É Craque! - A bela corrida de Nelsinho no GP da França é uma resposta para os críticos?

Piquet - O problema é que em uma parte do jornalismo ainda existem pessoas maldosas que não entendem muito. Agora, lógico que o Nelsinho ainda está se achando na competição. É o ano de aprendizado dele, mas ele fez todo esse caminho do kart ganhou tudo e tenho muita confiança no sucesso dele. Você leva um, dois anos para se adaptar a Fórmula 1. O problema é que todo mundo compara com o Lewis Hamilton, que no primeiro ano andou muito bem. Mas o Lewis treinou em simuladores de corrida, e o Nelsinho treinou muito pouco, não teve simuladores, então isso atrasou a formação dele lá na Fórmula 1.

É Craque! - Como é a convivência do Nelsinho com o Alonso?

Piquet - O Alonso realmente é o bicampeão do mundo, teve uma experiência ruim na McLaren. Hoje, ele quer tudo para ele na Renault. Mas eu não me importo com isso, acho o time competente e todos estão vendo que o Nelsinho tem uma capacidade boa e logo vai mostrar o que ele pode fazer.

É Craque! - Quais as chances do Massa se tornar campeão?

Piquet - Acho que ele tem grande chance, porque na maioria das provas ele vem sendo mais rápido que o companheiro de Ferrari, o Kimi [Haikkonem]. E você também depende de sorte para ser um campeão do mundo. Na França, por exemplo, o Kimi era o mais rápido e com certeza venceria a prova, e um problema mecânico deu ao Massa a primeira posição na corrida e no campeonato.

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Rei de Roma em Goiânia


Marcando presença em Goiânia, Paulo Roberto Falcão, ou simplesmente, Falcão. Um dos melhores jogadores de todos os tempos da seleção brasileira e ídolo máximo no Internacional. Mesmo sem ter conquistado nenhuma Copa do Mundo, Falcão encantava por ser um volante tecnicamente perfeito e que jogava avançado, marcando muitos gols. O jogador comandou o Inter na campanha do tricampeonato brasileiro de 1975-76-79. O marco da carreira veio em 1980, quando ele se transferiu para o Roma, na Itália, onde ajudou o time a conquistar o scudetto pela primeira vez em muitos anos; o sucesso por lá lhe deu o status de "Rei de Roma". Em 1982 fez parte da talentosa Seleção Brasileira que perdeu para a Itália nas quartas de finais da Copa daquele ano. Ele jogou ao lado de grandes nomes como Zico, Roberto Dinamite, Sócrates, Júnior e Cerezo, sob o comando de Telê Santana. Em entrevista ao É Craque!, Falcão falou sobre a atual situação do futebol brasileiro, da permanência de Dunga no comando e sobre o futebol holandês que lhe encanta há muito tempo.

É Craque! - Qual sua avaliação sobre atual seleção brasileira?
Falcão - Minha opinião não é diferente da maioria dos torcedores, ninguém está satisfeito com o rendimento, principalmente nos últimos dois jogos. É um momento de ter calma e paciência, não dá para achar que vamos classificar sempre com facilidade para uma Copa do Mundo. Não podemos nos privar de Kaká e Ronaldinho Gaúcho, ficamos na expectativa que eles possam voltar o mais rápido possível, pois com eles temos condições de formar uma boa seleção. Com a dupla e Robinho, todos em bons momentos, a seleção voltar a ser favorita em qualquer competição.
É Craque! – Dá para traçar um paralelo entre Dunga e Falcão?

Falcão - Dunga não ter treinado nenhuma equipe não é sinônimo de fracasso, assim como tivemos experiência que técnicos rodados não são sinônimos de vitórias. Acho que uma seleção hoje sem jogadores importantes tem dificuldades. No momento, estamos todos preocupados. As situações são um pouco diferente entre mim e o Dunga. Eu brinco com as pessoas que se eu tivesse a qualidade que o Dunga tem nas mãos... Naquela época tive que buscar, dei oportunidade para o Cafu, que ninguém conhecia, para o Mauro Silva e o Leonardo.

É Craque! - Você teme que o futebol arte se perca com o tempo?

Falcão - O problema é que alguns treinadores exageram em preparar as equipes de forma defensiva, mas acredito que o problema é outro: a falta de jogadores talentosos. Não podemos ficar sonhando que temos tanta qualidade assim. A realidade do Brasil é essa dependência de Ronaldinho e Kaká, sem eles teremos muitas dificuldades durante as eliminatórias. A qualidade sempre faz a diferença, o que me preocupa é que no momento não estamos tendo a qualidade. Aí está o grande desafio do Dunga: montar uma equipe competitiva na ausência dos dois.

É Craque! - A escalação de três volantes no meio-campo da seleção?

Falcão – Eu não gosto. Caso se tenha três jogadores de muita qualidade no meio-campo e que sejam volantes eu gosto, mas colocar três jogadores de contenção lá atrás, na frente da defesa, só recebendo ataque do adversário, eu não gosto. Talvez se no jogo contra o Paraguai eles tivessem jogando um pouco mais a frente, poderíamos ter algum ganho. Quando você coloca três volantes o objetivo é fechar o adversário. Mas, quando o adversário chega muito fácil ao seu gol, significa que isso não está funcionando.

É Craque!- Jogadores que atuam no Brasil?

Falcão - Acho que o Hernanes deveria estar jogando, um volante que marca, bate bem na bola e que realizou uma boa campanha ano passado com a camisa do São Paulo. O acho, no momento, o melhor jogador do meio na seleção e que não vem sendo bem aproveitado.

É Craque! - A torcida está certa em pedir a demissão de Dunga?

Falcão - Demissão é muito cedo, devemos pensar na história, ele conseguiu ótimos resultados, é apenas um momento que esperamos que passe logo. Não seria justo tirar o Dunga agora. É uma pressão natural, ele ganhou a Copa América e tem barriga para gastar.

É Craque! - Pato é mal aproveitado na Seleção?

Falcão - O Pato não joga nem no Milan. Então você imagina a situação do treinador. Eu acho que ele tem qualidade, mas gostaria de ver ele se firmar no Milan. Inclusive no jogo contra a Argentina, eu achava que ele deveria ter entrado, porque achei que era um jogo para ele, por ter condições de driblar três, quatro jogadores pela sua qualidade. O Pato ainda vai ter que atingir uma regularidade para se tornar realidade no Milan e na seleção.

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