Felipe Ribeiro
Se dentro de campo o Atlético possui boas perspectivas na Série B do Campeonato Brasileiro, fora das quatro linhas, especificamente no fluxo financeiro, a situação é delicada. As despesas mensais, com folha de pagamento e manutenção da estrutura, giram em torno de R$500 mil. Entretanto, o clube recebe R$ 300 mil referentes ao patrocínio e cota de transmissão dos jogos para a TV fechada.
Já os gastos com transporte e hospedagem são custeados pela CBF. O déficit no caixa é bancado pelo presidente, Valdivino de Oliveira, e o vice-presidente, Maurício Sampaio. A situação não é recente, mas foi agravada pela atual crise econômica e a inflação no futebol, com os altos salários pagos aos jogadores. Uma possível solução seria a negociação de atletas, para gerar um saldo positivo nas finanças.
Outra fonte de renda do Dragão é a bilheteria dos jogos em Goiânia. Mesmo com a baixa média de público, a quantia é suficiente para pagar despesas com alimentação, higiene, limpeza e manutenção dos campos. Na partida contra a Ponte Preta, na sexta-feira passada, a renda foi de R$ 47.130,00, as despesas com a realização do embate custaram cerca de R$ 24 mil e o rubro-negro ficou com R$ 23 mil livre.
A perspectiva é de melhoria a longo prazo, com a retomada das conquistas em campo. "Temos consciência de que nosso público é fixo. Na maioria dos jogos, o público não-pagante, como as crianças, é considerável. Ainda não deu tempo para um aumento significativo da torcida", destaca o diretor administrativo, Raimundo Silva.
Consequências
O déficit em caixa gera sequelas negativas nas quatro linhas. O investimento nas categorias de base, fundamental para revelar novos craques e uma das fontes de renda dos grandes clubes do país, é discreto. Tanto que apenas um jogador do elenco profissional, o atacante Boka, foi revelado no próprio Atlético. "Não temos como fazer este investimento. O foco precisa ser o futebol profissional, até como uma resposta direta à torcida", argumenta Raimundo.
Outra dificuldade é a contratação de reforços. O diretor de futebol, Ádson Batista, busca jogadores sem tanto renome nacional, e aposta em jovens promessas, como foi o caso do zagueiro Gil e atacante Marcão. Ambos foram contratados a baixo custo, e atualmente são cobiçados por times da elite do futebol nacional.
Dragão viaja indefinido
O Atlético viajou hoje (4 de junho) para Campina Grande, onde enfrenta amanhã (5) o Campinense-PB. O volante Pituca, suspenso por duas partidas pela expulsão na partida diante do Vasco da Gama, e o lateral-direito Rafael Cruz, que se recupera de cirurgia no joelho direito, serão os desfalques. Os prováveis substitutos ainda não foram definidos. Com a ausência de Pituca, Wesley deve voltar ao meio-campo, enquanto Paulo Ricardo pode estrear na lateral-direita. A segunda opção é a entrada do volante Fábio Gomes, com a manutenção de Wesley improvisado na direita.
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